segunda-feira, 17 de julho de 2017

Com um dia de atraso, o amor de uma vida

Venho aqui uma vez por ano para te dizer por palavras o quanto te amo, nos outros trezentos e tal digo-te com beijos, abraços e ralhetes. Passaram já sete anos e continuo a amar a tua pirosice, os teus cor-de-rosa com brilhantes, os laivos de diva e até o mau feitio ao acordar. Nada podia ser mais generoso e honesto que o nosso amor pois apesar de todos os arrufos entre nós, ainda o fervedor está quente e já me enrolaste os braços à cintura e eu devolvo-te o consolo no mesmo instante. Aproveitas todas as oportunidades para me fazeres perceber que a atenção que vos dou, nem sempre está bem distribuída e apesar de entenderes que dificilmente ganharás, fazes questão de mostrar que nunca baixarás os braços na tua luta quixoteana pela supremacia do meu tempo.
Sei tudo do teu sorriso, percebo a lágrima que ainda não te assomou o olho ou o disparate escondido debaixo de um tapete, conheço-te cada gesto e cansa-me a tua ingenuidade disparada em mil perguntas seguidas mas tenho a certeza que me estavas destinada porque mesmo quando estás a dez segundos de mim, sinto saudades apenas porque sim.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Ele é tão literal

Enquanto matávamos saudades ao telefone, macaquito começa a ralhar comigo.
-Sabes mãe, não sei o que andas a fazer, estou sempre a ligar do telefone do avô e tu tens SEMPRE o telefone desligado.
-Não pode ser, deves ter-te enganado a marcar o número, eu tenho SEMPRE o telemóvel ligado.
-Na na na na na, eu marquei bem o número, aparece aquela senhora e diz "o número que ligou não está atribuído" e desliga-se.
-Vês? Se aparece essa senhora é porque marcaste o número mal. Diz lá o número que marcaste.
-9XX XZD XXX
-Pronto, está explicado, não é ZD, é DZ. Isso nem parece teu.
-Ah, pois é mamã. Desculpa... - diz-me com uma voz muito triste.
-Sabes o que me apetece fazer-te agora? Roer-te as duas  orelhas ao mesmo tempo. - digo em tom de brincadeira.
-Oh mãe, não dá. Tu não vês que tenho uma ocupada com o telefone? Se não como é que podia estar a falar contigo?!

domingo, 9 de julho de 2017

Como os programas de televisão condicionam o nosso dia-a-dia

Brainstorm ao pequeno-almoço.
-Macaquito, o que queres comer?
-Não sei, decide tu.
-Torrada, tosta, papa…
-Vou trancar a resposta papa.

….

….

….

-Papa é a resposta correcta

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Armários, portas, cacifos...

Já lá vão uns meses desde a história do "magnifique" depois da adaptação a essa rotina que foi a de se fechar no armário em casa e falar uma espécie de francês, todos os dias antes de se deitar, outras daí advieram, entre as quais a de se fechar nos cacifos da piscina sempre que vamos às aulas de natação. Aproveita sempre o momento em que arrumo a tralha na mochila para se fechar num cacifo sem fechadura e fazer um pequeno teatro comigo em que ele assume o papel de Monsieur Magnifique, génio malvado que me rapta macaquito e o leva para o deserto ou para o espaço,  apenas depois de eu fazer um monólogo zangado com a porta do armário, lá aparece um macaquito feliz por estar de volta. 
Ora numa das aulas de macaquita, em que tive de o levar também, enquanto eu ajudava a irmã a vestir o fato de banho ele ficou sentado num banco a aguardar. No meio da confusão de um balneário infantil cheio de meninas começo a discernir um tum tum tum pouco habitual, levo dez segundos a processar até que resolvo procurar no lado oposto ao que nos encontramos e para espanto de todas as mães que ali se encontram, sai um rapaz muito esbaforido e atrapalhado de um cacifo que tinha uma fechadura funcional. Desta vez não lhe saiu nada em francês tal foi a aflição que passou quando percebeu que estava trancado.
Passado uns tempos, noutro dia de piscina, no curto caminho que separa o estacionamento da porta principal, deixei de o ver. Corri para dentro do complexo e nada, perguntei a todas as pessoas que ali se encontravam e nada, agarrei no cartão dele, passei nos torniquetes na esperança de que estivesse no balneário à minha espera, entrei e nem sinal dele, paniquei. Voltei atrás e nada, volto ao balneário e chamo por ele e nada, até que de dentro do cacifo (o tal sem fechadura) sai um macaquito todo nu, a falar francês. 
-Conseguiste  despir-te sozinho?! Muito bem, para a próxima vamos tentar isso fora do armário, ok? - foi a única coisa que consegui dizer, sem me rir não vá este disparate tornar-se rotina também.


domingo, 2 de julho de 2017

Não era Tony mas teria sido igual

Vou buscá-los a casa dos avós, antes de seguirmos lembro-me de ir ao centro da cidade resolver um assunto. Na praça central grande burburinho com o check sound de uma banda que vai tocar nessa noite, grupo habitual e querido na cidade, uma coisa a roçar "Tony Carreira e os seus muchachos" mas com menos azeite. Macaquito atravessa a praça sem ligar ao que se passa e estranhei, até perceber que seguia concentrado na sua demanda de me ajudar a chegar a horas. De volta ao carro passamos de novo perto do palco onde a banda continuava a ensaiar, desta vez não lhe passou ao lado, arrancou para a frente do palco e chama pelo vocalista.
-Tony Carreira, posso cumprimentar-te? 
-Claro que sim mas dá a volta, sobe ao palco ali nas escadas e anda até aqui. - macaquito assim fez, subiu ao palco deram um grande aperto de mão, trocaram meia dúzia de palavras que não percebi e o pequeno voltou pelas mesmas escadas que tinha subido. Ali ao lado, estava o resto da banda, os seguranças e roadies e macaquito assim que pisa o chão, vira-se para eles e diz seguro de si.
-Sabem, o Tony Carreira é o meu fã nº 1!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ciúmes

Toca o telemóvel, do outro lado uma voz cheia de mimo.
-Estou mãe, estou sozinho em casa!
-Sozinho? Onde estão os avós? - pergunto preocupada.
-O avô foi levar a mana ali à rua para ela ir andar com a avó.
-Ah! Ok, então não demora nada. Precisas de alguma coisa?
-Não, estava com saudades e aproveitei para ligar, estás sozinha?
-Sim e com muitas saudades também.
-Olha, não precisas de ligar à hora de jantar.
-Então porquê? - não consegui evitar a gargalhada porque já estava a adivinhar o que me ia dizer.
-Já falámos agora e assim tens mais tempo para descansar.
-Eu não estou cansada e não falei com a mana, talvez seja melhor ligar para lhe dar um beijinho de boa noite.
-Não, não precisas ligar, eu dou-lhe os teus cumprimentos e ligas amanhã pela fresquinha. Vá, adeus, gosto muito de ti. Vou desligar....
E desligou!

Outros voos

Pedes que te observe no teu local preferido, a voar. E voas cada vez mais alto. Alguém me disse que vieste ao  mundo com um propósito, descrente que sou das coisas esotéricas, acredito apenas que vieste ao mundo para que eu aprendesse a amar. Cresceste tanto este ano e eu também, os infortúnios também nos trouxeram coisas boas, foi como sair na paragem errada e aproveitar o passeio para ver coisas novas. Crescemos juntos, aprendemos juntos e juntos faremos um novo caminho e que tudo aquilo que agora nos perturba seja o mote para voarmos ainda mais alto.