sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Doces conversas

Ao deitar:
-Mãe, como é que nasce o pão?
-A sério macaquita? Nem acredito que me estás a perguntar uma coisa dessas. O pão não nasce, faz-se com farinha, água e fermento.
-Siiimmmm, eu sei mas donde é que vem a farinha.
-Dos cereais, o que nós comemos, por exemplo, é de trigo. O mano come de milho, arroz...
-E o trigo vem de onde?
-É uma planta, lembras-te do milho que plantaste? No final apanhaste uma maçaroca com muitos bagos. O trigo não é bem igual mas também dá uns grãos que depois são moídos para fazer farinha.
-Ah, então e o açúcar?
-Vem da cana-do açúcar que também é uma planta. E agora já chega, toca a dormir que o mano também quer um miminho. Amanhã mostro-te as plantas no computador para veres como são os grãos, as canas...
Deito-me ao lado dele e mais um inquérito.
-O que é que estavas a falar com a mana? Nunca mais vinhas.
-Ela estava a perguntar-me como nasce o pão? - rimo-nos os dois.
-Ahhhh tontinha, o pão não nasce.
-Sim, foi o que lhe estive a explicar.
-E o que é que ela perguntou mais? - conhece-a bem e sabe que a conversa nunca fica por ali.
-Tanta coisa. Depois dos cereais perguntou-me donde vinha o açúcar.
-Do açucareiro, claro!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Super nada

Não vou esmiuçar o que já foi espremido e exprimido net afora. Tenho a legitimidade que me quiserem dar no que concerne a educação de crianças, as minhas crianças. Não tenho intenção de dar opinião sobre a educação que cada um dá aos seus filhos porque me irrita sobremaneira que o façam em relação aos meus. Se me pedirem um conselho, eu dou, sem julgar. 
Noutro dia dei uma galheta na minha filha porque me faltou ao respeito pela primeira vez em 7 anos, nada de grave por sinal, apenas um "nanananannana" quando lhe chamava a atenção, a minha mão saiu disparada e acertou-lhe na bochecha de raspão, arrependi-me no segundo seguinte, ela também. Engoliu as lágrimas durante 10 minutos e a seguir pediu-me desculpa, desculpei. Não lhe pedi desculpa mas não engoli as lágrimas, ausentei-me apenas o tempo suficiente para que não as percebesse. Senti-me durante um dia ou dois a pior mãe do mundo, não por lhe ter dado a galheta mas por ela achar que me podia faltar ao respeito.

domingo, 14 de janeiro de 2018

2 Rodas 0 Cérebro

Os meus filhos não sabem andar de bicicleta sem rodinhas, a macaquito  até desculpamos por todas as questões relacionadas com desenvolvimento, motricidade, etc. Já ela não tem desculpa, houve uma altura, bem mais pequena que até arriscava e esteve quase lá, depois assustou-se ou magoou-se ou preguiçou, o que é certo é que ainda não sabe mas tem vontade.
-Tens de treinar o equilíbrio, muitas e muitas vezes até conseguires. - dizia-lhe o pai ao almoço. - Quando deres por ela estás a andar.
-Quando der por ela? - perguntou confusa, nunca entende este tipo de expressões porque interpreta tudo à letra.
-É maneira de falar, quando menos esperares, consegues andar sozinha.
A seguir ao almoço, lá foi ela para o quintal, treinar na bicicleta sem rodinhas. Os avós chegaram e enquanto macaquito foi dar um passeio com o avô, eu e a avó conversávamos junto à lareira.
-Mãe, mãe, tu não vais acreditar. - entra de rompante na cozinha, completamente histérica. - "Eu dei por ela" e consegui andar sozinha.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No fundo só os gatos importam

-Sabes mãe, ser bombeiro afinal não é assim tão fixe. Acho que já não quero ser bombeiro.
-Então porquê? Andas indeciso outra vez?
-Os bombeiros só salvam gatos... e apagam fogos. Não fazem mais nada fixe. Acho que quero mesmo ser carteiro.
-Humm, carteiro. E o que fazem os carteiros assim tão fixe? - pergunto.
-Ooohhh mãe, entregam o correio. Mas também podem salvar gatos!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Depois das cenas cómicas na sala de espera e antes da cantoria no corredor de saída

Uma consulta, num consultório enorme com duas valências, de um lado está macaquito a ser visto pelo médico e do lado oposto, um outro menino com os pais a fazer avaliação com as técnicas. Até aqui, tudo normal, o que não acho nada normal mas compreendo tão bem, é o progenitor da outra criança, não ter prestado atenção nenhuma à avaliação do seu próprio filho porque não tirou os olhos de macaquito e ria à gargalhada com todos os disparates que ele foi debitando enquanto o médico tentava fazer da consulta uma coisa séria mas falhando redondamente. 

Tão crédulo

Após uma noite de 4 horas e meia, mal dormidas, seguimos viagem até Lisboa para mais uma consulta, não se cala um minuto e não há sono que resista a tanta tagarelice. Nevoeiro cerrado até Vila Franca, ao chegarmos à zona do aeroporto, o trânsito em pára-arranca, por coincidência começam a dar as notícias do trânsito na rádio. 
-Olha mãe a Inês Lopes Gonçalves deve estar a ver-nos nas câmeras do trânsito.- ainda lhe admiro a capacidade de reconhecer todas as vozes da rádio  mas respondo em tom de gozo.
-Sim, sim, provavelmente está!
Estranho a ausência de resposta, espreito  pelo espelho e vejo macaquito a acenar vigorosamente para a janela.

sábado, 6 de janeiro de 2018

É peixe...

Sempre que me quer dar graxa macaquita elogia as refeições que lhes preparo.
-Este jantar está delicioso, adoro este peixe! É o quê?- pergunta ela referindo-se à espécie.
-É o quê?! Ai macaquita, é bom! - responde o irmão prontamente.