terça-feira, 21 de novembro de 2017

Composição sem título

Era uma vez um urso pardo corajoso que vivia numa casa cheia de ursos medrosos. Um dia ia a passear e viu um rapaz pendurado na varanda.
-Socorro! Os cavalos estão a atacar.- gritou o rapaz.
-Vou já salvar-te. -disse o urso.
O urso repara numa girafa que vai a passar, abanou-a com a pata e ela fica zangada:
-Urso, por que é que fizeste isso?
-Não te queria assustar, depressa, traz-me aquele trampolim. - diz o urso para a girafa.
O urso põe o trampolim debaixo da janela e diz:
-Podes saltar, eu estou aqui.
Ele salta, bate no trampolim e cai nos braços da mãe que vinha a chegar da França.
O urso salvou o dia.
FIM





Como poderão ver pelas imagens, este é um trabalho onde é suposto organizar ideias antes de iniciar a composição. Tendo em conta a confusão que vai naquela cabeça e o facto de ele não ter pensado 10 segundos sequer para cada frase antes de começar a escrever o texto, acho que merece um 20 pela forma como conseguiu interligar todos os personagens e a missão em si.
E o que nos divertimos enquanto o fazia, ele escrevia as falas e depois "obrigava-me" a repeti-las em tom teatral para depois nos rirmos os dois à gargalhada. 
Há trabalhos de casa que são gratificantes mesmo que nos roubem meia tarde de um fim de semana. 


domingo, 12 de novembro de 2017




Às vezes tenho saudades, arranja-se um bocadinho. Outras vezes apetece-me fugir a sete pés, faz-se um esforço. Sou de carne e osso, o que hoje é um salto no escuro, amanhã é uma réstia de luz no fim de um dia de inverno. Ontem apetecia-me estar aí, hoje agradeço estar de volta a casa.

domingo, 5 de novembro de 2017

E vão 3

Entrei na cama de mansinho, sempre que estamos sozinhas muda-se de armas e bagagens para o meu aconchego e na sua bagagem levava o seu terceiro dente e uma pequena fada em papel que desenhou e arrumou meticulosamente debaixo da almofada. No silêncio apenas ouço a sua respiração pesada que me dá a confiança para fazer a troca e perpetuar o ritual de magia que ainda lhe preenche os sonhos.
De manhã sou bombardeada com as perguntas de sempre.
"Viste a fada?"
"Ela levou o desenho, achas que gostou?"
"As fadas levam os dentes para comer ou transformam-nos em estrelas?"
"Os teus dentes ainda estão no céu como os meus ou já desapareceram?"
"As estrelas que são dentes, são como o sol?"
Não tenho a lição bem estudada, invento respostas à medida que as perguntas surgem, por isso nunca dou duas vezes a mesma resposta, não obstante, ela acredita piamente em todas elas, mesmo as mais atabalhoadas  e eu comovo-me com essa ingenuidade.
Vou continuar a povoar os sonhos deles de magia e histórias da carochinha, mesmo que mal contadas e com pormenores dúbios, por aqui vão existir fadas, pais natal e duendes, renas coxas que mudam de nome a cada ano, coelhos falantes e dedos que adivinham os seus disparates até que tenham 20 anos, ou talvez menos... E eu vou continuar a acreditar que eles serão sempre meus até quando me dizem em resposta a um mimo " ahhhhhh, eu já não sou bebé!"


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ele não come doces

Nem bolos, por causa das intolerâncias alimentares mas cumprindo a tradição lá foi com a irmã pedir os bolinhos pela manhã. A aldeia é grande mas eles vão sozinhos pois não saem da rua onde temos a casa, vizinho sim, vizinho não, um ou outro familiar até que chegaram à casa de uma prima com cerca de 90 anos.
"Bolinhos, bolinhos, à porta dos santinhos"
-Oh, que pena, não tenho bolinhos mas tomem lá um dinheiro.
-Dinheiro? Não é para dar dinheiro, hoje é dia de bolinhos.
E voltaram para casa de bolsos vazios mas com "umas bolachas tontas" na saca como a tia fez questão de nos vir contar. 


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Eu nem sabia que ele era bombeiro

 Tinha menos de uma hora para uma pequena lista de compras, entre ir buscar macaquito e posteriormente a irmã, tempo mais que suficiente se não me perdesse à procura das prateleiras ou de macaquito, por isso preparei-o ainda no carro.
-Olha, vamos ali fazer umas compras mas não podes fugir de mim, nem fazer disparates.
-Sim mas temos de pagar na caixa número 6, está bem?
-Sim, tudo bem.
Entrámos no supermercado e ele diz-me logo num tom demasiado dramático.
-A caixa 6 está fechada, o que vai ser de nós?
Comecei as compras e ele sempre a reclamar, já estávamos de saída e ouve-se nos altifalantes.
"Estimados clientes, a caixa número 6 vai abrir..."
-Olha mãe, a caixa 6 vai abrir, podemos ir para lá? Podemos?
-Sim, vai andando que eu vou só buscar mais uma coisa.
Entre ir e vir, juro que não demorei mais de 30 segundos
"Estimado clientes a caixa número 6 vai encerrar..."
A cara dele dividia-se entre a estupefacção e o desânimo. Escolho outra fila e encontro a professora dele do primeiro ano, que me dizia que já se vinha a rir porque já o tinha ouvido na outra ponta da loja. Enquanto esperávamos vez, conversámos um pouco e ele aproveitou para se pisgar para o lado de fora das caixas. Dirigi-se à caixa 5 e faz um inquérito ao funcionário sobre o porquê de não estar a caixa 6 aberta, isto claro, recheado de sugestões de funcionamento da própria superfície comercial. O rapaz, cheio de boa vontade e provavelmente farto de o ouvir diz-lhe assim:
-Olha, ficas responsável pela caixa número 6. Vens para aqui trabalhar e a caixa 6 é tua.
Ele corre até ao pé de mim.
-Mãe, ouviste? O senhor disse que eu sou responsável pela caixa 6, por isso, vais buscar a mana e depois vens-me cá buscar.
-Claro que sim, sem problema mas se ficares, tens de fazer o turno completo, por isso, só te venho buscar amanhã de manhã. - com filhos deste calibre tem de se ter destreza mental e argumentos prontos na ponta da língua.
-Ah! Ok...-(e agora o que é que faço??)
Corre de novo para a caixa 5 e diz muito depressa.
-Olhe senhor, eu não posso ficar porque a minha mãe está com um bocadinho de pressa mas amanhã de manhã venho cá assinar contrato!
O silêncio das pessoas que estavam todas atentas à conversa, transformou-se em gargalhada. Ele corre de novo para mim.
-Mãe, mãe, amanhã venho cá assinar contrato mas tens de passar nos bombeiros e dizer que eu já não posso trabalhar mais para eles.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Isto não é um blog de culinária

Mas deixo-vos a receita dos "croquetes da avó", um pedido tão querido na caixa de comentários que não podia deixar de satisfazer. Não me responsabilizo pela vossa saúde, posso afirmar que em 40 anos, muito poucas (dá para contar pelos dedos) foram as refeições que desfrutei, feitas pela minha mãe. Já macaquito conseguiu o impossível, fez com que a avó passasse a porta da cozinha sem ser para comer, podem não acreditar mas isso é um feito incrível.

Ingredientes:

200 gr de carne (pode-se aproveitar sobras de uma refeição, porco, galinha, coelho, etc)

3 colheres de sopa de azeite
1 ou 2 dentes de alho grandes
1 folha de louro,
1 cebola muito bem picada,
60 gr de maizena
mais ou menos 2 dl de água
2 ovos
um pouco de tomate pelado
sal q.b,
pimenta q.b, ou um pouco de noz moscada,
farinha de mandioca, para substituir o pão ralado


Preparação:
Refoga-se o azeite, alho, cebola e louro, até a cebola alourar, junta-se o tomate e deixa-se refogar um pouco mais. De seguida junta-se a maizena desfeita na água e mexe-se sempre em lume brando até se descolar do fundo do tacho. Entretanto, junta-se a carne salteada, o sal e a pimenta (ou noz moscada) e mexe-se 2 ou 3 minutos. Retira-se do lume e tritura-se um pouco caso seja necessário, junta-se 1 ovo e mexe-se muito bem. Não vai mais ao lume, deixa-se arrefecer, moldam-se os croquetes, passam-se pelo outro ovo batido e de seguida na farinha de mandioca. Fritam-se em óleo ou azeite bem quente e levam-se para longe de macaquito ou correm o sério risco de não os chegarem a provar.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O melhor da festa? Foram os croquetes!

Como macaquito não gosta de doces, faço sempre uns quantos salgados que ele também possa comer e desta vez a avó, que não gosta de desiludir, experimentou uma receita nova de croquetes com farinha de mandioca que fez as delícias do petiz. Assim que os provou, agarrou-se com unhas e dentes (literalmente) ao prato e comeu uns quantos seguidos. No entanto, a dada altura  decidiu, por sua iniciativa, que tinha de partilhar os seus maravilhosos croquetes com as outras pessoas para que toda a gente soubesse o quanto eram saborosos. Então pegou num e deu a provar a um amigo, à primeira trinca retirou delicadamente o croquete da mão do conviva e comeu o restante. De seguida fez o mesmo com outro convidado e assim continuou até que não restasse nenhum. Podem chamar-lhe ganância ou gula, eu acho que só tenho de lhe explicar melhor o conceito de partilha.